Quase quarenta  e um mundo de quase realizações e desejos inteiros. 

Preparo-me para viver no campo dos sonhos terrenos.

Sem deixar de viver de sonhos etéreos, ou de plantá-los nos jardins mais desconexos.

 

Preparo-me para ser um senhor de sonhos tardios.

Sonho, sonhei, sonharei.

No passo errático dos sonhadores de sonhos distantes,

Quase impalpáveis, quase imperceptíveis, quase doces, quase irascíveis.

Todo errado para os mais próximos, indecifrável para os distantes.

Enquanto fabrico sonhos de varal, que secam e são carregados pelo vento.

 

Não fui célebre, não ganhei algum prêmio, não estive na Europa.

Não fiz fortuna, não vivi a glória, não me tornei mártir, muito menos imortal.

 

Sigo em meu caminho imaginário, no esboço de esculturas de oxigênio.

Carregado pelo amor, que me guia desde homem, e me levará velho senil.

 

(Ainda há muito tempo, baby.)

 

Quero, no fim, dar uma risada de menino.



Escrito por mdr às 10h30
[] [envie esta mensagem] []



Que vai ser de nós sem o guru do Meyer



Escrito por mdr às 15h01
[] [envie esta mensagem] []





Escrito por mdr às 14h59
[] [envie esta mensagem] []



A mulher ouro, a mulher bandeira, a mulher astronave, a mulher edifício, a mulher cidade, a mulher tempo, a mulher camarim.

A mulher praça de guerra, a mulher revolução, a mulher diáspora, a mulher revelação, a mulher múltipla, a mulher menina, a mulher macho, a mulher onipresente.

De todas, a mulher mulher. Que fala por si, não tem adjetivos, não tem redundância, não aceita pleonasmos, não deixa por menos.

Mulher tu. Que faz do seu jeito de ser um universo particular. Nada de Via Láctea. É na Via Mulher que somos todos habitantes.



Escrito por mdr às 14h10
[] [envie esta mensagem] []





Escrito por mdr às 16h29
[] [envie esta mensagem] []



O Carnaval Sayonara já passa das quatro

Cinco, seis, gueixas dançam com o corpo cheio de purpurina

São esquálidas com o semblante de batalha

Desmantelam-se, derretem-se, na pista de dança

Que tem o formato fatia de mortadela.

Quem é aquela gueixa dos seios cansados.

Do rosto transparente e olhos de tsunami.

Com os quais a todos aniquila

E mostra sua vontade de mundo.

O corpo magro que revela o caminho negro.

Quase ralo do pentelho cego

Que exibe sem qualquer cerimônia.

O bombardeio segue descontinuado

Ala-la-ôh, mas que calor, de paredes esfaceladas.

Como os corpos que agora aos pedaços inundam o

Salão de sangue e nostalgia.

O Carnaval Sayonara já passa das quatro

Quando a infantaria chega não há qualquer

Dançarina para contar história.

A velha dona do pedaço morreu apanhada ao dinheiro.

Alguns generais inimigos nus em seu íntimo.

A triste gueixa agora tem os seios inundados de sangue.

Sorri, conforma-se, já passa das quatro,

Uma hora o baile precisa cessar.

Não traz nada no corpo

A não ser sangue e purpurina

Nem mesmo uma esperança tardia.

O soldado vela sua inocência menina.

Chora, conforma-se, sonha dançar com ela

A última valsa de uma guerra perdida.



Escrito por mdr às 10h21
[] [envie esta mensagem] []



O início o fim o meio - um 2012 para além do fim do mundo para você.

Cena do documentário "Raul Seixas - O inicio o fim e o meio", de Walter Carvalho e Eduardo Moscarzel



Escrito por mdr às 01h47
[] [envie esta mensagem] []



Avisem lá: corações são feitos para regaçar.

Eu amo e me mando para junto do seu serão.

Me parto e reparto o meu defeito e brilho.

 

Faço e desfaço como barquinho de papel.

Navego e afogo em seu mar de joias.

Sou brilho sou negritude na luz da sua noite.

Sou âmbar sou ímpar na calada do seu sorriso.

Sou pop e sou erudito para além das ondas sonoras.

E eu adoro. E adoro. E adoro.

 

Sou música sou silêncio derramado em seu vestido.

Enquanto dorme e escolhe valsas de sonhar colorido.

Ame ou se mande para bem perto da minha longitude.

Guardada em páginas soltas para fazer sua felicidade.

Calibro meu coração murcho.

Eu aviso: foi feito para regaçar.

 

Jogo e não jogo no carinho da sua sala de dança.

Descalço e de pés vestidos fazendo o rock and roll.

Ninguém mente: foi feito para regaçar.

 

O barulho do continente bem no meio do oceano.

Balança. E balança. E balança.

Faz uma eternidade de amor silvestre,

Azul, celeste, rebentado na rocha.

É só escutar.

 

* Para Vivian, ao som de Ame e se Mande, de Jussara Silveira.



Escrito por mdr às 23h10
[] [envie esta mensagem] []



LOu-LOu, Me-Lou, Não Me-LOu

Gravado por Lou Reed e Metallica, Lulu tem sido considerado a bomba do ano pela maior parte da crítica.

De fato não é fácil atravessar suas 10 longas músicas – a mais interminável, a última, Junior Dad, tem mais de 19 minutos! É um parto, um martírio e ao mesmo tempo  uma glória.

Lulu foge de tudo o que já ouviu. Junta um bardo em delírio constante, ora vicejando, ora vociferando,  poemas desconexos, ásperos, com uma banda de heavy metal ao fundo. É indigesto, improvável, como sempre gostou o bruxo Lou.

O disco deveria se chamar Lou Lou, o verdadeiro responsável pelo crime, o gênio demente, incompreensível para seus contemporâneos que se saciam com qualquer britpop ou qualquer magro banquete indie, para não dizer magérrimo.

Lou, Lou. Que é isso meu velho? Onde você quer chegar? A resposta não vem.

Perturbador e magistral, se você tiver paciência de ouvir tudo mais de uma vez. Tem de ser de enfiada. E eu aviso: muitas vezes você vai se sentir no mais insuportável  inferno, vai se sentir ardendo em qualquer pesadelo, vai se sentir senil, prestes a cuspir seu espírito.

Lou, Lou. Ouvi duas vezes, não é Me-Lou. A indecência é necessária nesta fétida entranha em que vivemos.



Escrito por mdr às 23h43
[] [envie esta mensagem] []



E toda essa displicência. E toda essa ganância. E toda essa impossibilidade de lidar. E toda essa falta de serenidade. E toda essa queda. E toda essa metodologia. E toda essa incompreensão. E toda essa vontade. E toda essa falta de sentido. E toda essa mulher que não sai de ti.



Escrito por mdr às 01h17
[] [envie esta mensagem] []



Eu me afasto do meu nome.  Eu sou todas religiões e sou música, um ressoar vindo da encosta de onde os deuses dormem fatigados.

Eu procuro por Eudora. Não encontro seu recanto, não possuo escola. A ressalva de que sou um homem que anda em círculos, jamais deixarei de frequentar meus equívocos.

Giro de um passo a outro como quem procura a si mesmo. Eu procuro por Eudora. Mesmo que seja apenas um nome. Não tenha nem figura, nem cheiro, nem amora.

Eudora talvez seja uma música, um pedido por clemência. Eudora talvez seja um estágio da mente em que raros homens atinjam o pleno da felicidade. Eudora é uma mulher com uma tesoura no sexo e testículos. Eudora é um tempo remoto impossível de ser vivido novamente.

São os sinos que dobram: Eudora! Eudora! Eudora!

A cidade histórica que desperta envolvida em uma manhã úmida. Eu não tive escola nem tampouco religião. Foi o bastante para saber que eu estava condenado a mim mesmo. Preso um minha esfera íntima, incapaz de compreender aos outros e ao mundo.

Não possuo música. O silêncio avassalador de homens sem arranjo nem harmonia. Filarmônica de assuntos proibidos. Que servem apenas para causar entulho.



Escrito por mdr às 01h01
[] [envie esta mensagem] []



No Rancho do Vale do Orizona.

Ninguém avisa. Ninguém sabe. Ninguém procura.

Com quantos calores se faz uma demência.

 

Teus prados eróticos tua vegatação promíscua.

Tuas árvores como seios, tua formação rochosa

que mais parece vulva.

 

Quem pode acenar para tuas garotas seminuas,

Que cobrem o sexo com peças de queijo meia-cura.

 

Que se vendem por qualquer fatia, que acenam

Da janela caolha de dois quartos que são nenhum.

 

No Rancho do Vale do Orizona.

A droga mais corrente é a lascívia.

 

O trago por sexo grátis em uma velha esguia.

O pico por um refresco de gozo jorrando no rosto.

Uma carreira que se arrasta por duas coxas gordas.

 

Letreiro que lampeja no começo da noite.

Boca de estrada, não há carros, não há homens.

 

Há forasteiros, há foragidos, há esquecidos.

Há um piano quebrado e há sujeira.

 

Há um carro abandonado e há auto-ajuda.

Há quem pague por um boquete e por um conselho de vida.

Há quem chegue cedo para o próximo dia e que peça guisado.

 

No Rancho do Vale do Orizona.

 

Balada de dois sinos e novela das nove.

Murmuros evacuados no trevo da Osório.

 

Qualquer carro que se aproxima

Uma corrente já contada

De uma velha história.



Escrito por mdr às 23h24
[] [envie esta mensagem] []



não percam!



Escrito por mdr às 23h54
[] [envie esta mensagem] []



Hora
sexta, 12 de agosto · 18:30 - 21:30

Localização
Livraria da Vila
Fradique Coutinho, 915
São Paulo, Brazil

Criado por

Mais informações
TRANSITIVOS é uma coletânea de textos de Adriane Bertini, Clara Lobo, Humberto Pio, Juliana Amaral, Kevin Kraus, Márcio Dal Rio, Marcio Yonamine, Maria Carolina Costa Coutinho e Maria Eugênia de Menezes, publicados originalmente em seus respectivos blogs.
Este projeto foi realizado com o apoio do Governo do Estado de São Paulo, Secretaria de Estado da Cultura - Programa de Ação Cultural - 2010.
No lançamento as ilustrações de Adalgisa Campos para o livro serão expostas.



Escrito por mdr às 23h54
[] [envie esta mensagem] []



Vaia de bêbado não vale! Em breve: transitivos! (falta mais gente na foto)



Escrito por mdr às 20h06
[] [envie esta mensagem] []



[ ver mensagens anteriores ]


Histórico
Votação
Dê uma nota para meu blog


Outros sites
Em DuVida
Blog da Circus
Blogotó da Anita
Ruminessências
Ponto de Fuga
As cartas ridículas
Namastê
Drops da Fal
Versos de Falópio
Alta Intimidade
Mulheres sob Descontrole
Blog do Paulo Dauria
Polegar Opositor
Lula Falcão
Mineiras Uai