A beleza das mulheres em marcha
A beleza das mulheres que não se derruba
Do guarda estúpido que tombou a moça e agarrou como quem doma um animal: tu não sabes o engano de tua farda e o horror de tua missão 
A beleza das mulheres que toma a avenida, aflora, grita, berra, e derruba homens estúpidos. 
A beleza do ato contra o horror.
Quando eu crescer quero ser mulher.
Brava mulher como todas elas, todas em uma, beleza da luta contra este mundo fálico e brutal. 
Tomem, gritem, derrubem.
Sejamos com vocês mulher.
Para calar o mundo.



Escrito por mdr às 11h23
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-O seu trabalho é ficar aqui na esquina com a camisa da seta
- Mas pra que?
- Pras pessoas saberem a direção do estande promocional
- Mas pra que?
- Você vai trabalhar por 12 horas, não pode sair da esquina, não pode sentar, não pode ficar de costas, não pode fumar, tem que aguentar chuva.
- Mas pra que?
- Você tem 20 minutos por dia para ir ao banheiro. Pode dividir 10 de dia e 10 de tarde, de noite tem que aguentar.
- Mas pra que?
- Você tem 15 minutos de almoço, pode trazer marmita, mas tem que esconder no mato.
- Mas pra que?
- Teu salário é 250 com bônus no final do mês se fez tudo direito. O bônus inicial é de 25 e pode chegar a 35.
- Mas pra que



Escrito por mdr às 11h23
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Escrever é catar desvão Cada traste que sobra Cata cada qual um corpo Esconde bem escondido Na lembrança tece Tecido na tecitura Assim às vezes Feérico Assim às vezes Galgando carruagens Assim às vezes Brutal Pau que fere Ranca pedaço Não há borda PratoComido a Vidro



Escrito por mdr às 11h22
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Você se sente estranho quando precisa de um telefone fixo e não mais existem telefones fixos,
você se sente estranho quando vai à loja e existem muitos telefones fixos à venda
você se sente estranho quando a moça da loja oferece garantia estendida, quando na verdade em poucos anos não haverá mais em definitivo telefones fixos e talvez nem aquela loja exista mais,
você se sente estranho quando não sabe mais mexer no telefone, embora tenha nascido numa realidade de telefone fixos
(pausa para a lembrança do frio na barriga antes de ligar pra moça no tempo do telefone fixo quando o pai ou a mãe podiam atender)
você se sente estranho lendo o manual do telefone fixo
e se sente mais estranho ainda ao notar que

não consegue enxergar nada

do que está escrito ali



Escrito por mdr às 11h21
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Eu quero que você descubra, minha face, claro enigma, rito de passagem, você de partida, malas e livros, é o meu rosto que se despede, e nele que se pode ver esses pastos sem volta, os lugarejos mais longínquos, casas sem janela, o choro que colhe flores magníficas, em cada pedaço de minha pele, você toca com a mão, este labirinto, um vaso de mundos, correntezas sem dor

por onde um dia você belamente

andou.



Escrito por mdr às 00h18
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Na calada eu sou um só musculo. Tensa carne eivada de querer. Eu sou uma só compulsão.

Ritmo de alavanca, o resplandescer do pau. Aquilo que parece doce e jorra.

Carinho do líquido branco sobre a pele.

Eu sou, eu sou só, porrra.

 ‪#‎masturbação‬



Escrito por mdr às 00h17
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Toca pra mim. Que eu toco pra você. Somos um só tango. Passo lá, passo cá. Um desfalecer de mão em mão, pés que flutuam no cosmo.

‪#‎masturbação‬



Escrito por mdr às 00h16
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Amor a gente pode repetir naquele domingo. Claro, estou sempre aqui contigo. Não largo mão.

‪#‎masturbação‬






Escrito por mdr às 00h16
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Sambava no meio fio
Na roda do monte carlo
Um riso solto, um abraço amigo, um galgar ebrio, uma confidência drummondiana
Quando descuidou e um raio lhe partiu ao meio
Sangue que escorre na ciclovia 
Não são as garrafas quebradas do leiteiro.
Não é o leite matinal que se mistura com a camada espessa.
São fios tingidos de espuma e uma alegria vã que se esparramam
O samba partido e uma dor alta que reverberam como uma súplica, uma triste canção de final de sábado.



Escrito por mdr às 00h15
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Ele começou a seguir uma moça portuguesa muito bonita.
Certo dia, curtiu um belo retrato de Anabela.
Pouco tempo, e recebeu uma mensagem interna.
Gelou quando viu que a autora era Anabela.

-Gostaste-me?
- Muito 
(não hesitou em responder, embora trêmulo)
- Gostaria de me conhecer?
- Claro que sim
-Viria a Portugal me ver?
(ele hesitou, não podia ser verdade, mas mesmo assim respondeu)
- Quando quiseres
- Quando podes?
- Estou em férias, mas não saí de minha cidade.
- Espere um pouco.
(poucos minutos se passaram e ela voltou)
- Veja o que postarei na sequencia
(e enviou um documento)
(ao abrir ele não pode acreditar)
(e ela escreveu novamente)
-Te espero no aeroporto de Lisboa amanhã ao meio-dia.



Escrito por mdr às 18h51
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Como eu queria ter dar um mundo maior que dou.
Eu era menino e me encantou a imagem do super-homem que deu a volta anti-horária na terra para evitar a morte da amada.
Eu queria poder acelerar o tempo para te dar mais conquista, mas te manteria intacta, sem o efeito do avançar do tempo.
É minha visão otimista, tudo que quero te dar pode estar no futuro, é trazer este futuro para o presente minha maior missão. 
Um mundo maior que dou, é tudo que eu queria te dar.
Sinto fraqueza, mas não desistirei da tarefa, o tempo é sempre tão curto, mas eu só preciso dar voltas na terra para te dar este mundo maior que tudo. 
E eu darei.



Escrito por mdr às 14h57
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O homem de seu corpo não vem?


A luz apagada. Não existe mais corpo. Tudo é fluido. Tudo é música. Não existe mais corpo.  Tronco que desce a correnteza, membros que enroscam na margem, ventre, semeia o vento, os pés na areia, um dançar contínuo, de dois corpos sem rumo, membros que se misturam, sexos que se fundem, a música, o gozo fluído, derrama pelo corpo, tronco sobre tronco, o galgar da carruagem, seios que se debruçam, até que a escuridão dissipe e releve na manhã duas harpas cansadas em desarranjo.


Escrito por mdr às 15h08
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Laços de ternura

Ivan fala pelos anéis, tem os olhos cândidos, os ombros revelados pela regata, tem o falar miúdo, sobrancelhas que se amuam, conta que não teria ternura por mim.

Cíntia banha-se do frescor da manhã, tem o frescor no corpo, escapa pelas minhas mãos, a beleza escorregadia, o leite dos olhos, os cílios rompantes, me diz com doçura:

- Você pode mais, poeta.

Ternura, palavra difícil.

Eu tenho ternura por Ivan e Cíntia, nessa manhã arrebentada, o jardim parece entrar na sala, a luminosidade almoça nossas vistas, a ternura, a entrega, teríamos um futuro tão terno, se não nos entregássemos à intolerância, estamos os três estarrecidos, a ternura sumiu, talvez do que tenha ficado terno, só mesmo a puída veste do mendigo

que evapora na Paulista.


Escrito por mdr às 15h07
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O monstro
Recortei meu nome e deu um monstro
Um lagarto terrível que solta flores pela boca
Devora vagalumas na noite fria enquanto a manhã não vem
O monstro se movimenta em meio a pilhas de livros, não tem mais jornais na sala,
Seu nome está no tablete de onde a notícia foge, a todo momento,
O monstro foge da monstruosidade que se instaura na rua
Ele não tolera intolerância por isso cospe flores pela boca
O monstro gosta de dizer coisas líricas na lâmina da tarde que nunca termina
O monstro não destrói coisas apenas a própria geladeira, já comeu uma Prosdócimo, uma Consul e uma Eletrolux.
O monstro não gosta de badalação, foge dos outros répteis a qualquer mostra de lagartaria.

Todo o domingo vejo o monstro dormindo na rede de tranças verdes com o mundo na barriga.


Escrito por mdr às 15h06
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No meio do caminho (sei que Evandro não vai gostar)

Acorda bem cedo, Vá, homem, carrega consigo este cadáver, Calce os tênis de 99 reais comprados no feirão, Vista os shorts puídos, a camiseta das eleições de 1994, Você precisa encarar a manhã, Diga 98 quilos, 98 quilos, 98 quilos, No meio do caminho encontrará o poeta de chapéu e dirá bom dia, No meio do caminho verá sua imagem de menino vestido de super-homem, No meio do caminho encontrará  o diabo no redemoinho (viver é muito perigoso) No meio do caminho, extrato da conta corrente, Diga 6 reais e 33, 6 reais e 33, 6 reais e 33, No meio do caminho voará como colibri, No meio do caminho pegará um ônibus para o Piqueri, No meio do caminho, um monólito, No meio do caminho, o androide ferido, No meio do caminho, uma negra chamada Selena, No meio do caminho, o conserto que não vem, No meio do caminho, carta suicida, No meio do caminho a lua que se quebra como um velho desejo, No meio do caminho, o Sol que já foi e não trará sequer juventude, não trará, não trará, não trará sequer.


Escrito por mdr às 15h06
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