A mulher azul chega de mansinho, me pega no colo, me diz que é minha Europa. Velha prostituta travestida de moça, com os seios luzentes de estrelas pontiagudas douradas, a mulher azul diz que não me ama. Que prefere tirar proveito de meu sonho caixeiro-viajante, que quer furtar minhas esperanças, abusando de seus poderes de antigo continente. A mulher azul é um universo. Denso e nervoso como o Atlântico, claro como o céu de Bauru, um banquete para milhares de homens. Vai comer os testículos de cada um calmamente, com cara de Vênus nublada, de olhos de cor imprecisa, e voluptuoso corpo sangrado de anis. Ah, teus seios, meus tempos senis.



Escrito por mdr às 12h26
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histórias-limite

Eu sinto a virtualidade de teus dentes rompendo a virtualidade de minha carne. Cada megapixel um desejo a ser navegado. Pulsão por segundo. Ato frenético de copular à distância. O gozo de LCD como prova digital de amor.

 

Digo que tudo é uma questão de pulôver. Visto uma jaqueta de edredão comprada na China. Foi feita com mãos meninas? A dona da loja finge que não houve. Dizem que é de fibra e de resina. Por isso o frio não migra. Vou-me como bola de capotão. A realidade pode ser fria e crua, mas não imita.



Escrito por mdr às 18h34
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