Bons ventos me trazem quando lava sua bunda.

Sinto-me de novo moço, sentimental, profundo.

Ai, que mar sem cais,  que beleza avistar seu traseiro!

Traz-me de volta a rebeldia do íntimo, me intima, me intimida.

Que bela escultura, pela janela, tua anca, meu futuro!

Que descoberta, que desatino, que delírio, que graça mais alpina,

Que sentimento ultramarino.

O destino claro de tuas nádegas, tão redondas, tão apetitosas!

Ai, portuguesa minha, deixe-me morrer na sua bacia!



Escrito por mdr às 16h43
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Eu bem que quis. Um amor assim cordial, assim feito de papel crepom e restos de memória. Eu bem que faria. Um mundo assim diferente, sem rastros de ódio, feito de sangue alheio e cadáveres na esquina. Eu bem que gostaria. De ter você bem perto qualquer hora do dia, para fazer tudo e qualquer coisa, como comprar chuveiro ou procurar lâmpadas frias. Eu bem que tentaria. Dizer frases inteiras sem hesitação, dizer poesia, embora não me lembre de nenhum verso ou simpatia. Eu bem que seria. Muito mais do que uma imagem na tela, para ser um herói pitoresco de valente, como naqueles desenhos sem sentido que passam na sessão vespertina. Eu bem que resistiria.



Escrito por mdr às 17h46
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