Estive perto de sumir quase inteiro. Comecei a notar o apagar do meu corpo como fotografia antiga, que vai embaçando, amarelando, até se perder como pudim com excesso de forno. Eu estava apagando aos poucos, como a fábula contemporânea do garoto que fura o tempo com o carro supersônico, chega ao futuro, e, ao se intrometer em seus fatos, e farsescamente mudar a posição das peças no jogo do destino, altera o passado, fazendo com que protagonistas literalmente sumam do mapa. Estou sumido mas estou longe de desaparecer. Começo a rever meu corpo. Ele recria os músculos. Já posso me ver no espelho. Me encaro como novo estrangeiro, retomo meu papel, altero drasticamente meu destino. Procuro no meu corpo não mais jovem a eletricidade do menino que um dia sonhou com a nuvens. Sou eu de novo, a flertar cada uma delas.



Escrito por mdr às 17h31
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