No Rancho do Vale do Orizona.
Ninguém avisa. Ninguém sabe. Ninguém procura.
Com quantos calores se faz uma demência.
Teus prados eróticos tua vegatação promíscua.
Tuas árvores como seios, tua formação rochosa
que mais parece vulva.
Quem pode acenar para tuas garotas seminuas,
Que cobrem o sexo com peças de queijo meia-cura.
Que se vendem por qualquer fatia, que acenam
Da janela caolha de dois quartos que são nenhum.
No Rancho do Vale do Orizona.
A droga mais corrente é a lascívia.
O trago por sexo grátis em uma velha esguia.
O pico por um refresco de gozo jorrando no rosto.
Uma carreira que se arrasta por duas coxas gordas.
Letreiro que lampeja no começo da noite.
Boca de estrada, não há carros, não há homens.
Há forasteiros, há foragidos, há esquecidos.
Há um piano quebrado e há sujeira.
Há um carro abandonado e há auto-ajuda.
Há quem pague por um boquete e por um conselho de vida.
Há quem chegue cedo para o próximo dia e que peça guisado.
No Rancho do Vale do Orizona.
Balada de dois sinos e novela das nove.
Murmuros evacuados no trevo da Osório.
Qualquer carro que se aproxima
Uma corrente já contada
De uma velha história.