O início o fim o meio - um 2012 para além do fim do mundo para você.

Cena do documentário "Raul Seixas - O inicio o fim e o meio", de Walter Carvalho e Eduardo Moscarzel



Escrito por mdr às 01h47
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Avisem lá: corações são feitos para regaçar.

Eu amo e me mando para junto do seu serão.

Me parto e reparto o meu defeito e brilho.

 

Faço e desfaço como barquinho de papel.

Navego e afogo em seu mar de joias.

Sou brilho sou negritude na luz da sua noite.

Sou âmbar sou ímpar na calada do seu sorriso.

Sou pop e sou erudito para além das ondas sonoras.

E eu adoro. E adoro. E adoro.

 

Sou música sou silêncio derramado em seu vestido.

Enquanto dorme e escolhe valsas de sonhar colorido.

Ame ou se mande para bem perto da minha longitude.

Guardada em páginas soltas para fazer sua felicidade.

Calibro meu coração murcho.

Eu aviso: foi feito para regaçar.

 

Jogo e não jogo no carinho da sua sala de dança.

Descalço e de pés vestidos fazendo o rock and roll.

Ninguém mente: foi feito para regaçar.

 

O barulho do continente bem no meio do oceano.

Balança. E balança. E balança.

Faz uma eternidade de amor silvestre,

Azul, celeste, rebentado na rocha.

É só escutar.

 

* Para Vivian, ao som de Ame e se Mande, de Jussara Silveira.



Escrito por mdr às 23h10
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LOu-LOu, Me-Lou, Não Me-LOu

Gravado por Lou Reed e Metallica, Lulu tem sido considerado a bomba do ano pela maior parte da crítica.

De fato não é fácil atravessar suas 10 longas músicas – a mais interminável, a última, Junior Dad, tem mais de 19 minutos! É um parto, um martírio e ao mesmo tempo  uma glória.

Lulu foge de tudo o que já ouviu. Junta um bardo em delírio constante, ora vicejando, ora vociferando,  poemas desconexos, ásperos, com uma banda de heavy metal ao fundo. É indigesto, improvável, como sempre gostou o bruxo Lou.

O disco deveria se chamar Lou Lou, o verdadeiro responsável pelo crime, o gênio demente, incompreensível para seus contemporâneos que se saciam com qualquer britpop ou qualquer magro banquete indie, para não dizer magérrimo.

Lou, Lou. Que é isso meu velho? Onde você quer chegar? A resposta não vem.

Perturbador e magistral, se você tiver paciência de ouvir tudo mais de uma vez. Tem de ser de enfiada. E eu aviso: muitas vezes você vai se sentir no mais insuportável  inferno, vai se sentir ardendo em qualquer pesadelo, vai se sentir senil, prestes a cuspir seu espírito.

Lou, Lou. Ouvi duas vezes, não é Me-Lou. A indecência é necessária nesta fétida entranha em que vivemos.



Escrito por mdr às 23h43
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E toda essa displicência. E toda essa ganância. E toda essa impossibilidade de lidar. E toda essa falta de serenidade. E toda essa queda. E toda essa metodologia. E toda essa incompreensão. E toda essa vontade. E toda essa falta de sentido. E toda essa mulher que não sai de ti.



Escrito por mdr às 01h17
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Eu me afasto do meu nome.  Eu sou todas religiões e sou música, um ressoar vindo da encosta de onde os deuses dormem fatigados.

Eu procuro por Eudora. Não encontro seu recanto, não possuo escola. A ressalva de que sou um homem que anda em círculos, jamais deixarei de frequentar meus equívocos.

Giro de um passo a outro como quem procura a si mesmo. Eu procuro por Eudora. Mesmo que seja apenas um nome. Não tenha nem figura, nem cheiro, nem amora.

Eudora talvez seja uma música, um pedido por clemência. Eudora talvez seja um estágio da mente em que raros homens atinjam o pleno da felicidade. Eudora é uma mulher com uma tesoura no sexo e testículos. Eudora é um tempo remoto impossível de ser vivido novamente.

São os sinos que dobram: Eudora! Eudora! Eudora!

A cidade histórica que desperta envolvida em uma manhã úmida. Eu não tive escola nem tampouco religião. Foi o bastante para saber que eu estava condenado a mim mesmo. Preso um minha esfera íntima, incapaz de compreender aos outros e ao mundo.

Não possuo música. O silêncio avassalador de homens sem arranjo nem harmonia. Filarmônica de assuntos proibidos. Que servem apenas para causar entulho.



Escrito por mdr às 01h01
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No Rancho do Vale do Orizona.

Ninguém avisa. Ninguém sabe. Ninguém procura.

Com quantos calores se faz uma demência.

 

Teus prados eróticos tua vegatação promíscua.

Tuas árvores como seios, tua formação rochosa

que mais parece vulva.

 

Quem pode acenar para tuas garotas seminuas,

Que cobrem o sexo com peças de queijo meia-cura.

 

Que se vendem por qualquer fatia, que acenam

Da janela caolha de dois quartos que são nenhum.

 

No Rancho do Vale do Orizona.

A droga mais corrente é a lascívia.

 

O trago por sexo grátis em uma velha esguia.

O pico por um refresco de gozo jorrando no rosto.

Uma carreira que se arrasta por duas coxas gordas.

 

Letreiro que lampeja no começo da noite.

Boca de estrada, não há carros, não há homens.

 

Há forasteiros, há foragidos, há esquecidos.

Há um piano quebrado e há sujeira.

 

Há um carro abandonado e há auto-ajuda.

Há quem pague por um boquete e por um conselho de vida.

Há quem chegue cedo para o próximo dia e que peça guisado.

 

No Rancho do Vale do Orizona.

 

Balada de dois sinos e novela das nove.

Murmuros evacuados no trevo da Osório.

 

Qualquer carro que se aproxima

Uma corrente já contada

De uma velha história.



Escrito por mdr às 23h24
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não percam!



Escrito por mdr às 23h54
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Hora
sexta, 12 de agosto · 18:30 - 21:30

Localização
Livraria da Vila
Fradique Coutinho, 915
São Paulo, Brazil

Criado por

Mais informações
TRANSITIVOS é uma coletânea de textos de Adriane Bertini, Clara Lobo, Humberto Pio, Juliana Amaral, Kevin Kraus, Márcio Dal Rio, Marcio Yonamine, Maria Carolina Costa Coutinho e Maria Eugênia de Menezes, publicados originalmente em seus respectivos blogs.
Este projeto foi realizado com o apoio do Governo do Estado de São Paulo, Secretaria de Estado da Cultura - Programa de Ação Cultural - 2010.
No lançamento as ilustrações de Adalgisa Campos para o livro serão expostas.



Escrito por mdr às 23h54
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Vaia de bêbado não vale! Em breve: transitivos! (falta mais gente na foto)



Escrito por mdr às 20h06
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Minha noite eterna / meu amor sem aconchego / vem bem tarde / me envolver de ladrilhos / na rua encoberta / o que se esparrama / é meu pedido por socorro / o asfalto carcomido / que me incomoda o corpo / estático como os automóveis / congelados no cruzamento / são carcaças / são lamentos / latarias de uma noite inacabada / calado arrepio / por uma luz no sinaleiro / nem que seja o vermelho / das impossibilidades de nosso enredo / nem que seja o falso apito / do imaginário transatlântico / a chegar, no estaleiro, / navio que corrompe avenidas a fio / rompe instalações elétricas / e te pedem perdão / eu vejo sim / eu vejo não / cabo ótico rompido / sem sinal / nem sala de estar / nem televisão.



Escrito por mdr às 02h14
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 Marcio Dal Rio 
 Marcio Dal Rio 



Escrito por mdr às 02h13
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 Marcio Dal Rio 
 Marcio Dal Rio 



Escrito por mdr às 02h12
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João, 80



Escrito por mdr às 01h55
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Bob, 70



Escrito por mdr às 22h05
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oprefeito Marcio Dal Rio 

"Mamãe quero ser ministro e valer muito no mercado". "Entre para o Partido dos Trabalhadores, meu filho".

3 hours ago 

oprefeito Marcio Dal Rio 

Encontrou-se com o atravessador no escuro. Tenho um ministro de primeira, ele disse. Ele fala três línguas e conhece o Sarkozy.

3 hours ago 

oprefeito Marcio Dal Rio 

O tráfico ilegal de ministros é um dos mais sofisticados do mundo. Na falta de animais no mercado, servem diretores tarados do FMI.

3 hours ago 



Escrito por mdr às 16h15
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